segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Coração dividido, mas vitória completa: Cassiano x Schossler, Série A2 2006/1

E eis que retornamos com mais uma das belas súmulas cofatruqueñas, que eternizaram de modo elegante e atrevido momentos por si só destinados à eternidade truquística de nosso mui amado Rio Grande. Desta feita, voltemos nossa memória para a por vezes vilipendiada, mas sempre emocionante Série A2, mas especificamente à edição 2006/1 do citado certame. De um lado, Cassiano, o homem de três nomes, que vinha do relegamento e queria recuperar o tempo perdido com a máxima urgência. Do outro, Schossler, loira albina oriunda da Eritréia, trucadora irreverente e que muitos apontavam como uma das grandes figuras emergentes da bossa nova da Cofatruco. O jogo em questão marcava o encerramento da fase classificatória para Schossler, e a necessidade de vitória era premente para a moça. Leiam agora o relato desse belo match, escrito humildemente por este servo que vos digita:

SÉRIE A2 DA SUPERLIGA DE TRUCO
05/05/2006
2ª rodada
SCHOSSLER 10 X 20 CASSIANO

JUIZ: Natusch
PÚBLICO: 02 (02 pagantes)
O JOGO: Schossler, tida em pesquisa de opinião da Cofatruco como a segunda favorita da Série A2, tem já na primeira rodada deste match uma visão clara dos horrores que a aguardam: ao abrir suas cartas, depara-se com um portentoso espadão, acompanhado de um 4 de paus e um 5 de copas. Com essa mão maldita, só resta à atleta da Eritréia recusar o envido e o truco solicitados por Cassiano. Bastante tranqüilo, Cassiano demonstra um bom estado de espírito, inclusive levando na esportiva um gracejo da loira adversária na terceira rodada. Ao ver que o casaco de Cassiano ostenta um bordado com as letras “SCH”, a matreira Schossler acusa aos risos o adversário de estar vestindo seu uniforme, ao que nosso amigo responde sorridente com um “pois é, vivo com o coração dividido”. Gracinhas de Cassiano, no entanto, só no intervalo entre as rodadas: convicto, o trucador vai desmontando sem piedade as defesas da moça de Tenente Portela, construindo rapidamente uma grande vantagem no placar. Na quinta rodada, Schossler ganha envido com um manilhado 30 de ouros, mas vê suas moedinhas serem desmontadas a golpes de canivete pelos igualmente manilhados 29 de espadas de Cassiano. Nesse momento, a partida ainda se equilibrava em 7 a 9 para Cassiano, mas a partir daí a arrancada foi fulminante. Confessando estar assustada com o andar da carruagem, Schossler é vitimada na sétima rodada por uma flor de paus de Cassiano, que no entanto é impedido de usar o pauzão pela desabalada carreira da adversária, que foge do jogo sem pestanejar. Na nona rodada o placar final se encaminha, com um virulento 31 de ouros de Cassiano, e na rodada seguinte a partida acaba com Cassiano e seu mui humilde 21 de copas superando com folga os míseros 4 pontos de envido de Schossler. Encerrando sua campanha e somando apenas quatro vitórias, Schossler vê minguadas suas chances de classificação, e fica na dependência de resultados paralelos. Já Cassiano ganha um novo élan, e mantém-se vivo na disputa pelas semifinais.

Muito bem, nobres leitores(as). Por hoje é só, mas nada tema - tem muita súmula ainda para ser publicada, e emoção e bravatas não nos faltarão. Um abraço fraterno, e até brevíssimo.

Pelo sim, pelo não, quero e vale quatro
Natusch

sábado, 3 de outubro de 2009

Uma lavada à moda prussiana: Ponso x Natusch, Superliga 2006/1 (II)

Estamos de volta, amiguinhos(as). E, como prometido, trazendo a parte final do vareio, digo, do confronto entre Ponso e Natusch, válido pelas meias-finais da Taça Marcos Almeida Pfeifer, primeiro turna da Superliga 2006/1. Nem bem lambidas as feridas da primeira tunda de laço, Natusch se via diante de uma tarefa espinhosa - tentar tirar a vantagem colossal construída por Ponso na primeira contenda e, de algum modo milagroso, garantir a classificação para a final que, antes do jogo anterior, parecia tão palpável. Mas Ponsito não era de dormir de touca, e tinha a seu favor um placar suficientemente dilatado para jogar de sangue doce - e assim foi. Como o barba-ruiva precisava atacar, acabou abrindo os flancos, e como resultado previsível desta tática suicida acabou levando mais alguns tirambaços no lombo. Pelo menos restou o consolo da palhaçada ter tido poucas testemunhas... Com vocês, a parte final desta peleja, no relato sempre vívido de Vicente Fonseca:

Superliga Fabicana de Truco 2006/1
Taça Marcos Almeida Pfeifer
Meias finais
Segunda mão
15/maio/06
Natusch 9 x Ponso 19

Local: Adornão
Juiz: Fonseca
Público: zero
Rodadas: 9
Duração: 8 minutos
O jogo: era evidente o que estava por vir na segunda mão. Natusch arriscaria tudo, sempre, e Ponso apenas tomaria o rumo do Parobé para carimbar o passaporte para a grande final. Logo na primeira mão, Natusch vence um envido com 27 a 23. Natusch pedia ponto sempre. Ponso, estava visivelmente descontraído. Natusch fitava-o seriamente, com um ar de desolação. Na terceira rodada, o sealandês parece desistir oficialmente da disputa pela vaga. Natusch chama os pontos, Ponso, com 33 de copas na mão, pesca e leva dois tentos para casa. Com 4 a 4 no placar e 24 a 10 no agregado, Natusch diz que "acho que está decidido o finalista". Mais um empate na rodada seguinte, com Natusch tentando a todo o custo tirar pontos de onde não há nada. Desta vez, sua mão era 12, 6 e 4, tudo de naipes distintos. O sealandês diz não estar jogando mal, as cartas é que estão minando suas chances. Na quinta, Ponso vence um envido com 24, e larga um 4 de ouros na mesa como última carta. Daí, ocorreu o chamado Quadro da Dor: Natusch, capitulante, nem chama o jogo e larga o seu Espadão, lamentando que, em sua única boa mão manilhada em todo o jogo, tenha perdido a rodada por não poder usá-la. Na sexta, com desvantagem de 8 a 7, o trucador de barbas ruivas anuncia que o seu objetivo é tão somente vencer o segundo jogo, a fim de não perder as duas partidas para Ponso. Na sétima, porém, tudo vai por água abaixo. Ponso abre suas cartas e, visivelmente decepcionado com a sorte excessiva diz as célebres palavras: "bah, cara, FLOR...", em um tom lúgubre, quase que se desculpando com o trucador oriundo da Cavalhada. Na oitava, Ponso vence um envido com 26 a 22. Na nona e última, Ponso pesca e vence os pontos com 23, abrindo 17 a 9. Com o truco valendo, Natusch larga um Puto como sua derradeira. Ponso, como não podia deixar de ser... GANHOU A PRIMEIRA. 19 a 9 foi o marcador. 39 a 15 no total. Ponso, com muitas cartas, soube aproveitar bem a sorte e fez o que tinha de fazer: massacrar o adversário, aproveitando-se das cartas e do momento psicológico totalmente desfavorável de Natusch. Por sua vez, o sealandês não teve uma má atuação de todo. Blefes que não encaixaram na hora decisiva foram os principais erros de Natusch, que não podia também imaginar que Ponso viria sempre com cartas melhores. O primeiro turno da Superliga tem uma final de dois atletas tradicionalíssimos, mostrando que a Velha Guarda está mais viva do que nunca nos torneios cofatruqueños. A Natusch, segue o estigma de falhar nas horas decisivas, como já havia ocorrido nas meias finais da Fricardo deste semestre, contra o Jovem Posselt.

Mas depois acabei com esse estigma, tá? Me livrei dele, joguei no lixo, pisei em cima, rasguei e... Bem, hmmm, enfim. Findo o (meu) martírio, resta desejar a todos um ótimo final de semana, um belíssimo Cofatrago e convidar todos a continuarem ligados nesse espaço, onde a história da Cofatruco segue viva e pulsante. Um brinde!

Quero, e vale quatro!
Natusch

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma lavada à moda prussiana: Ponso x Natusch, Superliga 2006/1 (I)

Então tá, pessoal. Sempre em frente na nossa determinação de resgatar em prosa e verso a história da mui histórica Cofatruco-e-te-rasgo-as-cuecas, trazemos aqui a primeira de duas partes de um confronto que, sinceramente, traz doloridas lembranças a esse que vos digita. Afinal, ainda hoje carrego nas paletas os vergões amargos da surra que levei no já distante 15 de maio de 2006, quando enfrentei Ponsito pelas semifinais da Taça Marcos Almeida Pfeifer, primeiro turno da Superliga daquele semestre. A campanha Natuschense era sólida e invicta, e aparentemente o trucador de barba ruiva tinha consolidado um truco de altíssimo nível rumo ao título da Copa-com-nome-de-vice-de-tradição. Ponso, por seu turno, era trucador matreiro, experiente, mas que ainda carecia de títulos de renome no seu cartel. Era um confronto que prometia adrenalina, mas que - oh céus, oh vida! - acabou sendo uma dos grandes vareios que a Cofatruco já viu. E com o sealandês de vítima... Leia agora o relato do primeiro dos dois bailes, digo, cotejos, descritos pelo eterno Presidente e "coronista" Vicente Fonseca:

Superliga de Truco 2006/1
Taça Marcos Almeida Pfeifer
Meias Finais
Primeira mão
15/maio/06
Ponso 20 x Natusch 6

Local: Adornão
Juiz: Fonseca
Público:  zero
Rodadas: 9
Duração: 9 minutos
O jogo: tinha tudo para ser um jogo disputado e equilibrado. Ponso x Natusch. Uma velha potência truquística, das mais tradicionais, contra uma nova afirmação. Ambos em busca de seu primeiro título de mano. Pois bem: não foi assim que a peleja procedeu. Senão vejamos: na primeira rodada, duas recusas natuschenses fazem Ponsito abrir 2 a 0. Na segunda, o prussiano vence um envido pescado com 25 (Natusch tinha 24) e leva a rodada com seu 3 de copas, abrindo já preocupantes 6 a 0. Apesar de muito cedo e de negações por parte do sealandês, Natusch já começava a sentir a largada ruim. Seu rosto ficava cada vez mais avermelhado e o nervosismo pelas péssimas cartas iniciais eram evidentes. Na quarta rodada, ocorreu, talvez, o lance mais 
decisivo de todo o confronto, somando os dois jogos. Ponso envida Natusch aos pontos. Este, com The Number of the Beast (666) na mão, aumenta, na esperança de encaixar um ousado blefe. Ponsito pensa, repensa, vê o marcador indicar 7 a 1 em seu favor e... ACEITA! Leva cinco tentos com seu 27 e abre 12 a 2, encaminhando uma vitória gorda na primeira mão do confronto de meias finais. Duas rodadas depois, Natusch leva um tento no blefe na disputa de pontos, mas perde três na rodada. Vem com um 7 de ouros, mas Ponso vence um retruco com a Cama de Pregos, e colocando incríveis 16 a 3 em apenas seis rodadas de disputa. Natusch, que tentava tirar pontos de onde não tinha (sempre veio com péssimas cartas), confessa pela primeira vez estar nervoso com a terrível desvantagem. Ponso, por sua vez, se diz consternado com tamanha superioridade à base de cartas, mostrando-se quase que constragido pela vitória sem grande esforço que estava prestes a chegar. Na oitava, Ponso larga um Rei, Natusch emparda. 
Ponso, então, mostrando seu 5 e 4 e corre, para desespero natuschense, que veio desta vez manilhado com 7 canivetes na mão. Na última, Natusch pede a falta, Ponso aceita e vence por 7 a 6. O sealandês então truca, mostra o Bidezão e Ponso, com a Cama de Pregos na mão, retruca. Natusch, visivelmente abatido, recusa, e o jogo termina em 20 a 6 para o prussiano, que praticamente assegura a vaga à final da Taça Marcos Almeida Pfeifer na primeira mão.

Pois então, colegas confederados (as) ou curiosos (as) eventuais. Depois da exposição pública dessa vergonha, resta avisar que no sábado entra no blog a parte derradeira do cruel espancamento perpetrado por Ponso sob esse vosso humilde escriba. Aos sádicos que se deleitam com esse espetáculo bárbaro, meus cumprimentos, e sigam conosco que lavadas desavergonhadas é o que não vai faltar!

Quero, e vale quatro
Natusch

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Em dez rodadas, tomba o mexicano: Muniz x Amengual, Superliga 2006/1

Pois é, meu povo: mais uma súmula direto do passado da Cofatruco para vocês. Hoje, voltamos nossas atenções ao primeiro semestre de 2006, mais precisamente à Taça Marcos Almeida Pfeifer e ao confronto entre Muniz e Amengual, válido pela fase classificatória do certame. De um lado, o primeiríssimo campeão da Superliga, trucador meticuloso e fatal com a manilha na mão; do outro, um jogador sem títulos, mas sempre disposto a incomodar os favoritos na busca do blefe perfeito. Ambos estavam no grupo B da competição, no qual Natusch ganhou de todo mundo e conquistou com folgas a vaga como líder. Para Muniz, era um embate pela classificação; para Amengual, a tentativa de tomar fôlego na fuga da horrenda e nauseabunda Série A2. O que resultou desse match Vossa Senhoria pode ler agora, nas palavras mui competentes do eterno Presidente D'onra Vicente Fonseca. E aí, vamo ou não vamo?

SUPERLIGA DE TRUCO
TAÇA MARCOS ALMEIDA PFEIFER
GRUPO B
4ª rodada
12/abril/06
MUNIZ 20 x AMENGUAL 6

Local: Theodor W. Adorno
Juiz: Fonseca
Público: zero
O JOGO: Um começo arrasador do primeiro campeão cofatruqueño de todos os tempos. Muniz parece disposto a recuperar o tempo perdido nesta Superliga e começa batendo Amengual com grande facilidade. É bem verdade que o mexicano veio com péssimas cartas na maioria das rodadas, mas Muniz não deu chance em momento algum, matando o jogo em apenas dez rodadas. Após duas rodadas truncadas, onde Amengual vencia por 3 a 2, Muniz começa uma espetacular seqüência de rodadas. O cigarro aceso pelo dono da casa parece desestabilizar o adversário. Na terceira, Muniz já abre 6 a 3, com um bela flor de ouros. Na seguinte, o ex-campeão abre mais três pontos, com um envido de 29, e uma mão belíssima: 1 de copas, 2 de espadas e a Cama de Pregos. Mas dois pontos para Muniz na quinta, em recusas amengualescas (que vem com uma péssima mão: 5, 6 e 6, tudo de naipes diferentes). Neste momento, o mexicano começa a se auto-intitular candidato ao descenso, num insuportável "choro". Depois de duas rodadas chochas, Muniz vem com um brinco, se deleita com o final de sua cigarrilha mágica, e abre amplos 14 a 6. O jogo terminaria duas rodadas dali adiante: 16 a 6 para Muniz na nona, com Amengual recusando o truco com o 1 de ouros na mesa; e vitória no vale 4 para o ex-campeão, tirunfando com seu Espadão ao final da rodada. 20 a 6 Muniz, na maior tenteada da Superliga até agora. Um confronto de tradicionais placares díspares (13 a 2 Amengual e 13 a 0 Muniz na Superliga 05/1) volta a sua melhor tradição. Enquanto Muniz começa impondo respeito, Amengual começa a temer pelo pior: o relegamento à Série A2, numa semestre onde agora dois participantes estarão condenados ao inferno da Segunda Divisão.

Para o sábado, mais uma súmula emocionante da Cofatruco os aguarda. Nada temam, pois sou eu quem está com o baralho, e eu nunca errei dando cartas!

Quero o teu blefe, atrevido, e vale quatro!
Natusch

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Com o patrocínio da Blumengarten... Pessel x Natusch, Superliga 2006/1

Olá, amiguinhos(as). Mantendo nosso trabalho incansável (mas às vezes meio preguiçoso) de resgate das súmulas que marcaram a história da Cofatruco, trazemos a todos esse embate entre Pessel e Natusch, válido pela rodada inaugural da Taça Marcos Almeida Pfeifer, primeiro turno da Superliga 2006/1. Os dois atletas vinham de momentos muito distintos, como bem explica o início da súmula em questão - embora compartilhassem o mesmo propósito: conquistar pontos em busca de coisas melhores no ranking da Entidade. E foi um confronto bastante cheiroso, digamos assim... Sem muitas delongas, vamos ao relato, redigido por nosso eternamente Jovem trucador Frederick Posselt:

IV SUPERLIGA DE TRUCO 2006/1
Grupo B
1ª Rodada
12/abril/06
Pessel 10 x 23 Natusch

Local: Complexo Esportivo Theodor Wiesergrund Adorno
Juiz: Posselt
Público: 2 (1 pagante)
O JOGO: Ao estilo Corinthians x Grêmio, o primeiro jogo do Grupo B da Superliga 06/1 é o vencedor da série A de 05/2 contra o campeão da série A-2 do mesmo semestre. Uma partida quente e disputada, com ambos os jogadores buscando altos pontos. Até a quarta rodada, forte equilíbrio no jogo. Pessel pede os pontos, Natusch chama em cima e o romeno recusa. Na rodada seguinte, Pessel recupera os dois pontos perdidos, levando a peleia empatada em 5x5. Na quinta rodada, o estilo de jogo do sealandês barba-ruiva impera, e uma série de cartas recheadas de pontos dão muitos tentos para o mesmo nas rodadas seguintes, começando pela quinta. Nela, Natusch pede os pontos, o romeno aceita e perde, deixando o jogo em 7x6. Na rodada seguinte, novo pedido de envido e nova vitória de Natusch, que passa a se distanciar do adversário. Até a Nona, o sealandês marcou 12 tentos, enquanto que Pessel marcou 4, basicamente em cima dos não-queros natuschenses (com exceção de uma rodada onde Pessel ganhou um truco com seu 7 de ouros). Na 11ª e última rodada, o lance do jogo: estando o mesmo em 17x9, Natusch abre seu trio de cartas, enxerga e canta uma flor. Pessel também abre seu trio de cartas e enxerga uma flor, cantando contra-flor. O sealandês aceita o pedido e canta seus pontos: 31 no total. Pessel pár apor um momento, conta seus pontos e diz, cabisbaixo: "merda, 30". Natusch ganha 6 pontos, fecha a partida em 23x10 e ganha o confronto dos campeões, com uma bela demonstração: blefando muito bem quando não lhe vêm cartas, chamando os pontos na hora certa e, desse jeito, disparando na liderança de seu grupo. Pessel começa a se preocupar com seu estilo de jogo.

Depois de resgatarmos para vocês esse mui florido cotejo, nos resta deixar a todos o nosso abraço, e a certeza de que em brevíssimo novas súmulas surgirão nesse espaço, mantendo vivíssimo o legado da nossa imorredoura Cofatruco. Como diria Silvio Santos: aguardem!

Quero, e vale quatro
Natusch

sábado, 19 de setembro de 2009

Não tem mais bobo no Truco Gaudério - Böes x Pasqualetto, Série A2 2006/1 (II)

Pois então, nobres confederados. Depois de longa e inesperada pausa, decidimos tomar vergonha na cara e retomar as atividades nesse digníssimo blog, voltando a registrar aqui momentos históricos da mui leal e valerosa Cofatruco. Nessa parada inesperada - e motivada, pelo menos no caso deste escriba, por motivos de preguiça maior - acabamos deixando penduradas algumas súmulas programadas, em especial o segundo post do confronto entre Böes e Pasqualetto. Recordando para quem está com preguiça de descer até o post anterior, esse confronto, válido pela decisão da Série A2, reunia dois trucadores novos mas talentosos e aguerridos, e entrou sem pedir licença na lista dos grandes cotejos da história da Entidade. Pasqualetto, a essa altura, já tinha garantido a honra de ser a primeira moça de sexo feminino a arejar o ambiente da Superliga, trazendo beleza e charme aos jogos e aliviando sobremaneira o cheiro de cueca que recendia dos confrontos usuais da competição. Já Böes, o Holandês Voador, vinha aos poucos se consolidando como trucador respeitável e talentoso nas artimanhas do blefe, de modo que a disputa do título era mais uma confirmação do seu considerável potencial. A súmula abaixo, redigida por esse que vos escreve, refere-se ao segundo jogo da decisão em melhor-de-três - e acreditem, confederados(as), foi um jogo incrível, daqueles que quem testemunhou não esquece. Ajeite-se na cadeira giratória e prepare-se, porque lá vai:

SÉRIE A2 DA SUPERLIGA FABICANA DE TRUCO
21/06/2006
FINAIS – SEGUNDA VOLTA
PASQUALETTO 21 x 17 BÖES
PÚBLICO:
08 (07 pagantes)
JUIZ: Natusch
O JOGO: O clima era tenso. Depois da vitória de Böes no primeiro duelo da grande final, a responsabilidade era jogada sobre Pasqualetto, que precisava vencer para garantir o terceiro jogo e ainda ter chances de conquistar a taça. Havia eletricidade no ar: os gatos do jardim de inverno não miavam, as pulgas dos sofás do dacom não pulavam, e mesmo os fabicanos presentes mantinham um respeitoso e incomum silêncio. O morador de Viamão parecia confiante de que a contenda se encerraria naquela hora mesmo, e já começou pedindo envido e cantando bem alto seus 28 pontos, para desolação de sua oponente. A rodada inicial é toda de Böes, e se encerra com a pobre Pasqualetto fazendo gubes gubes na piscina do Tio Patinhas. Na segunda rodada, Böes canta a flor e leva o truco, e ao fim de míseras duas rodadas o placar já marcava estrepitosos 8 a 0 para o defensor ferrenho de Júpiter Maçã. Perceba o(a) leitor(a) que a situação de Pasqualetto era dramática: tendo perdido o primeiro match e tomando semelhante lavada no segundo, era visível a ansiedade e a desolação no semblante da normalmente sorridente atleta, que via a chance do título escapar por entre os dedos. O resultado anímico não foi nada bom para a trucadora, e isso fica visível na terceira volta, quando Pasqualetto hesita e perde uma grande chance de somar pontos, a própria jogadora afirmando: “demorei muito para blefar, né?”. Böes, seguro com a larga vantagem, mostra-se extremamente bem humorado, bravateando sem reservas e chegando ao requinte de afirmar com todas as letras: “Se não ganhar essa, eu desisto do título”. No entanto, ignorava Böes que, além dos peixes, os fãs do autor de “A Marchinha Psicótica do Dr. Soup” também podem morrer pela boca. De fato, Pasqualetto começa a engendrar uma lenta mas resoluta reação, revezando manilhas bem aplicadas (na quinta rodada, ostentando um pauzão de dar galo em cabeça de busto de mármore) e envidos de boa magnitude, o que colocou o outrora hilário Böes em posição bem mais séria e meditativa. Na sétima rodada, já tínhamos 11 a 8 para Böes, e a torcida norueguesa começa a fazer muito barulho no estádio, animada com a visível recuperação da representante do clã Pasqualetto, uma das mais temidas linhagens guerreiras do fiordes de Buskerud. Na nona rodada, o cheiro de canela toma conta do ar, e a sorridente Pasqualetto canta altaneira uma flor de paus manilhada, que põe Böes para correr e diminui a diferença para um único pontinho. Na volta seguinte, Böes evoca sua essência interior e parte para o ataque, somando três tentos e assinalando 16 a 12 no placar. A seguir, Pasqualetto grita mais alto, e na base dos não-quero do adversário reequilibra em 16 a 15. Lá vem a décima terceira rodada, aquela que Zagallo diria ser sua favorita se jogasse truco gaudério, e todos silenciam para ver o que sairá desse confronto de gigantes. Mal sabiam eles o que viria a seguir – na verdade, algo tão espetacular que merece até um novo parágrafo.
Pasqualetto distribui as cartas. Böes ergue as três que o cabem, olha para elas, olha de novo, pisca, olha uma vez mais e então sorri. Solta um suspiro de campeão e canta a flor, exultante, com segurança e mal disfarçada euforia. A torcida norueguesa fica cabisbaixa, e os comentaristas já enchem os pulmões para tecerem comentários sobre o mais novo campeão da Cofatruco. Pasqualetto, por sua vez, olha para suas três cartinhas, olha de novo, pisca, olha uma vez mais e então sorri. O “CONTRA FLOR!” sai estridente, emocionado, como um suspiro de alívio de quem acaba de sair do mar tomado de tubarões. Um instante de perplexidade e, então, a euforia. É como se o mundo ficasse subitamente louco. A torcida norueguesa entra em êxtase, ameaça derrubar o alambrado, e o juiz é forçado a erguer a voz, conclamando todos à ordem para que a partida possa ter prosseguimento. Böes está surpreso com a resposta de Pasqualetto, mas não parece exatamente desconcertado. Dedica-se a uma atividade frenética: contar os pontos que tem na mão. Pensa, reflete, pondera, e por fim pronuncia um “quero” confiante, antes de declamar os trinta e dois que carrega na mão. O mundo silencia. Não há um único som – o Universo fica calado, esperando o desfecho daquela situação inusitada. E eis que Pasqualetto sorri uma vez mais, ergue-se um pouco na cadeira, e declama emocionada os trinta e três que carrega na mão. É a vitória de Pasqualetto, e a Noruega mergulha em uma festa sem precedentes. Böes engole em seco, e ergue-se desolado da mesa, tentando racionalizar como foi possível a derrota em tais circunstâncias. Foi um épico, uma odisséia, algo digno de registro a ouro nos anais da Cofatruco. Poucas vezes se viu final de jogo tão tenso, tão emocionante e inusitado – e poucas vezes registrou-se tal recuperação de um atleta, ressurgindo como Fênix num momento em que muitos perderiam a esperança. Depois da epopéia, desnecessário dizer que Pasqualetto tem toda a vantagem anímica para a terceira e decisiva batalha – que, se for como foi essa disputa que ora relatamos, periga até tirar a Terra de órbita. Aguardemos, pois.

Os arqueólogos contratados pela Cofatruco estão trabalhando diuturnamente em busca da súmula relativa ao terceiro e decisivo match de Böes x Pasqualetto - a ideia, se possível, é publicá-la no próximo final de semana. Mas, enquanto a receita milionária que estamos desviando não resulta na redescoberta deste documento histórico, certamente não nos faltarão opções dignas para ir preenchendo esse espaço. Podem ficar tranquilos, que a ideia agora é manter ao máximo a periodicidade, e novos posts com as súmulas do passado glorioso da Entidade não nos haverão de faltar. Abraços entusiasmados a todos os cofatruqueños.

Quero, e vale quatro
Natusch

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Isso é muito bom, é bom demais

Essa era a máxima do programa Chico City, produzido e apresentado por Chico Anysio na Rede Globo, começo da década de 1970. A música de abertura do humorístico também continha essa frase, que fazia referência às particularidades encontradas numa cidade do interior do Nordeste. Pouco dotada da infra-estrutura e dos acontecimentos de uma grande cidade, o contexto daquela cidadezinha, caracterizada pelas personagens do Chico, universais sob o prisma do comportamento humano, afora a singeleza e a jocosidade de uma pacata cidade interiorana, e claro com a genialidade do autor, faziam daquilo tudo, muito bom, bom demais!

Pode causar estranheza ao leitor, eu estar abordando Chico Anysio numa coluna dedicada ao truco e à cultura nativista gaúcha, mas resolvi expandir o conceito de nativismo dentro deste espaço, e incluir aspectos da cultura brasileira, que penso ser tão rica pra ficar calada no mapa, além Mampituba.

Afinal de contas, a Fabico, a Cofatruco, o Cofablog, e o convívio com estes amigos aqui, é muito bom, ou como prefere o Chico, é bom demais!

É bom demais ter concluído a Faculdade antes que minha sobrinha entre para o 2º Grau – ela tem quase 3 anos – ou antes mesmo do Grêmio conquistar a América novamente. Que isto acontecerá, só não me perguntem quando. Essa confusão do campeonato nacional, indefinição na ponta de cima, tomara que o São Paulo não estrague tudo novamente. Que o colorado mantenha seu torcedor com esperanças até a última rodada, e que o tricolor pare de se comportar como marido exemplar fora de casa. Ufa, isso tudo é muito bom, é bom demais! Ah, esta mensagem otimista sobre a vida, vale muito pelas moças lindas que coloram grau recentemente, num doce 7 de Agosto em Comunicação Social na Universidade Federal. Como estavam lindas! Ah e o Fipa que discurso, espontaneidade e a sinceridade dos sábios. Reencontrar vocês nesta coluna, após semanas de ausência, é muito bom, é bom demais!

Marcos Almeida Pfeifer